Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







Um dia, duas bailarinas

 

A menina loirinha, com seus oito anos, saiu de casa naquele dia como saía sempre para a aula de balé. A mãe a matriculara por achar que ela tinha jeito para a arte da dança, e a filha estava naquelas de descobrir, aos poucos, se gostava ou não. Mas encarava com seriedade. E muito dessa seriedade era imposta e ensinada pela severa professora, rigorosíssima com aquelas crianças que ainda dariam muitos passos na vida – e resolvida a eliminar quem não levasse a sério.

 

A bailarinazinha temia a professora, mais por respeito que por medo, não sabendo exatamente onde ficava a tênue linha entre os dois sentimentos. Na verdade, o medo era mais de desapontar a docente em sua rígida disciplina imposta a serviço da arte.

 

Naquele dia, em especial, ela temeu mais...

 

A professora não tolerava deslize algum, e principalmente que algum aluno interrompesse a aula por qualquer motivo que fosse. A loirinha começou a sentir aquela vontade de ir ao banheiro que só Murphy, em sua infame lei, explica.

 

A menininha tentava driblar a vontade de se distrair prestando atenção aos passos, às ordens da mentora, mas a bexiga não aliviava... Pelo contrário, quase explodia já, o que aumentava também a tensão do momento e o medo da irredutível professora.

 

Os olhinhos azuis da pequena bailarina já começavam a ficar vermelhos... Lágrimas já começavam a aparecer, totalmente ignoradas pela responsável pela aula. O embate mental e físico entre o respeito à arte, o medo da orientadora e o xixi que teimava em sair era monumental...

 

Nisso, desavisadamente, passava ali perto outra bailarina, já na casa dos dezoito, veterana perto da menininha de olhos azuis e lacrimejantes que ela viu lá de fora. Entendeu a situação (na certa já conhecia essas vontades involuntárias, a professora ranzinza e a Lei de Murphy muito bem).

 

Eis que, numa presença de espírito digna de nota, sacou de sua garrafa plástica de água que sempre carregava e foi andando rápido em direção à mocinha em situação de emergência, enquanto abria imperceptivelmente a tampa de rosca.

 

Chegando perto da menininha que suava em sua luta interna, soltou um “ops” digno de uma estatueta dourada da Academia de Hollywood - e a água da garrafa foi toda para a roupa da bailarininha, bem como para o chão de sinteco da sala.

 

“Puxa! Desculpa! Como eu sou desastrada!”

 

Exatamente na hora em que a bexiga da loirinha pediu arrego e se entregou em sua luta...

 

Nem é preciso dizer que a tal professora, em seu até que compreensível rigor, passou o maior sabão na bailarina “desastrada”. Uma bronca daquelas, de todo o tamanho... Mal sabia ela a mistura de líquidos que estava a seus pés naquele momento...

 

A bailarina moça, corada pela descompostura, pediu desculpas como pôde e pegou a menininha pela mão. Levou-a ao vestiário e trocou suas roupinhas, com muito zelo e carinho.

 

Zelo e carinho esses que continuam até hoje, mais de dez anos depois, e com reciprocidade. Amigas na acepção da palavra. Como, infelizmente, é raríssimo hoje em dia...

 

Daquele tipo de coisa que só acontece com gente muito, muito especial.

 



-Saboreado por: mc às 18h47
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Virada Cultural

Ê, minha Sampa querida!

Final de semana cheio de opções na urbe, e um feriadinho pra favorecer. Geralmente não curto muito feriados, mas... Como as mudanças acontecem (como citado dois posts abaixo, num dia mais sério), estou começando a curtir.

Voltando às tais opções da urbe, a Virada Cultural vai pegar o sabadão e o domingo. Podem olhar que tem agendas em tudo que é veículo de comunicação da Paulicéia.

Só que alguém me pôs uma música na cabeça... num momento ímpar e até meio inacreditável para espíritos menos preparados. E música me prende... no bom sentido.

E eu acho que vou seguir aqueles acordes, aquela letra deliciosa e pretensamente ingênua, que acalma e encanta.

Ao vivo, já pensou? No coração da minha amada urbe, que pretendo explorar muito já que vou para uns cantos dos quais eu tou com saudade.

Ninguém entendeu nada, né?

Nem eu. Mas tá tão gostoso assim... Rsrsrs



-Saboreado por: mc às 01h25
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Olha... Sei que de autobiográfico esse blog não tem muita coisa...

Mas de onde vem essa caspita dessa insônia dos últimos dias?

Domingo fiquei com rinite, meio fechando o nariz, embora não fosse gripe. A garganta cismou de tentar inflamar, mas debelei tranquilamente. Fora que andei pra caramba, mas essa parte foi boa.

O tradicional Vanilla do Starbucks não pareceu tão gostoso pela primeira vez na vida, mas não era culpa deles.

Aí o bobo aqui reinstalou internet em casa. Mas isso foi bom também.

Tou bom de resumo hoje! Rsrsr



-Saboreado por: mc às 01h10
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Aparências enganam

Hoje não foi um dia fácil... O que não quer dizer que não tenham acontecido coisas boas, ou mesmo engraçadas.

Fui tomar um café no Suplicy depois do almoço e me sentei nas grandes poltronas lá de trás, para ler e descansar. Nisso, chega uma moça muito simpática, muito bem vestida, bonita em seus cabelos curtinhos, com um penteadinho que eu não sei como se chama, mas não faria diferença saber... Só sei qe tá muito em voga.

Puxou papo, me perguntando sobre uma crônica que eu lia numa revista. O assunto foi sendo emendado em outro, em outro e em outro.

O legal foi quando ela me perguntou o que eu havia estudado e fez uma cara de cálculo... "Mas... tão novinho assim?"

Pergntei a idade dela e comecei a rir.

"Que foi?" - ela perguntou, rindo também.

Quando soube que eu tinha oito anos a mais que ela, soltou o maior palavrão e todo mundo olhou.

Caí de rir.



-Saboreado por: mc às 01h06
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Do nosso jeito de ver as coisas (ah, e pessoas!) e de como elas realmente são

 

De uns tempos para cá, tenho mudado meu jeito de ver as coisas. De ver as pessoas também...

 

Temos a mania de idealizar essas coisas e pessoas que passam pela nossa vida de alguma forma. Não importa se é gente que o destino mandou, se foi apenas um contato que não acontecerá de novo ou se é daquelas com que você é obrigado a conviver. A gente sempre idealiza algo.

 

Aí descobrimos a pólvora um dia: ninguém é como você pensa que é. Ele ou ela é o que é e pronto. Não é um pensamento seu que vai determinar a personalidade de alguém. Aquele perfil pode só existir na sua cabeça mesmo.

 

Outro duro aprendizado: as pessoas, na massacrante maioria, não mudam. Algumas até mudam conceitos, ou o modo de ver algumas coisas e pessoas.

 

Estou nessa fase de redescobrir princípios e conceitos... Não é um aprendizado simples, fácil, mas é instigante. Quero redescobrir a gana pelo próprio aprendizado.

 

Comigo tem rolado isso de não idealizar mais. Pessoas, coisas situações... Tanto faz. Não que eu queira ser um daqueles que desconfiam de tudo e todo mundo, não é isso. Mas gosto de saber como as pessoas são. E elas são completas, com qualidades, defeitos, manias e, algumas, até certas “particularidades exóticas”. Não me atingindo em nada, tudo bem. Basta, hoje, saber como elas são comigo. Tem essa também... Às vezes somos com umas pessoas como não somos com outras. Questão de sintonia, talvez, ou até de proteção. Aquele lance de não expor certos lados seus para quem não os entenderá.

 

Uma coisa que aprendi com a vida é que amigos são uma coisa, e pessoas com quem gostamos de sair ou cuja companhia nos agrada são outra coisa muitíssimo diferente. O fato de alguém gostar de sua companhia, ou de você ser útil a ela (de várias formas), não significa exatamente que ela goste de você... Entra aquela coisa de a vida ser um grande jogo de interesses. Nisso entra todo tipo de interesse: carências afetivas, companhia, dinheiro, status... Todas perigosas.

 

Por isso mesmo, ultimamente me afasto de pessoas que acham que você tem que ser do jeito que elas gostariam que você fosse. E, da minha parte, também evito achar algo. Estou satisfeito comigo, com o meu jeito de ser para mim e para as poucas pessoas de quem gosto de verdade e quero próximas. E, na boa, essas pessoas próximas sentem todo o carinho que tenho por elas (e pode contar que é muito). Continuo amando poder cuidar de quem eu gosto. Para quem não gosta, uma novidade: olha o tamanho do mundo que tem aí fora, com bastante espaço para ficar longe!

 

Após esse papo todo, moral da história: ao idealizar alguém, perdemos o que a pessoa realmente é. E no meio disso tem muitas coisas boas das quais nos privamos, ou muitas coisas ruins das quais devemos nos proteger.

 

 



-Saboreado por: mc às 13h21
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Surpresas desagradáveis pelo caminho...

Estava eu tranquilamente indo trabalhar, caminhando pela Av. Brasil, quando em um cruzamento... pimba! Uma senhora aparentando seus setenta e poucos foi atropelada a uns quatro metros ao meu lado. Imediatamente, um casal que estava perto acudiu e, inteligentemente, o homem pediu para que a senhora não se mexesse. Eu já estava com o celular na mão chamando o resgate.

Nesses lapsos de tempo nos quais a gente só pensa depois (na hora o tempo voa e demora ao mesmo tempo...), o casal continuou seu caminho, o outro casal dono do carro que a atropelou posicionou o veículo para protegê-la do trânsito, chegaram duas viaturas da CET para ajudar. Até um médico e uma enfermeira de um laboratório próximo vieram ajudar, viram que ela estava bem e foram embora.

Dona Helena (o sobrenome eu não vou dizer, obviamente) até que se "comportou" bem como acidentada, mas estava começando a ficar um pouco incomodada com as pessoas ao redor, curiosas. Queria porque queria se levantar, alegando desconforto (quem gostar de ficar deitado em pleno asfalto, sob o sol e um monte de gente olhando, que atire a primeira pedra).

Não vi outra solução senão me abaixar e ficar com ela, sem tocá-la. Como ela estava de lado, começando a ficar um pouco agitada, me abaixei e quase deitei ao lado dela, para ela fazer contato visual. Tentava distraí-la, e ao mesmo tempo dizer que a ambilância já estava chegando.

Na verdade, eu pedia a Deus pra não dizer ou fazer nenhuma besteira, atitude péssima nessas horas estranhas...

Done Helena, bem vestida em sua roupa aparentemente de ginástica, disse que morava ali pertinho, nos Jardins. Também falou que trabalhou por 33 anos no Hospital Israelita Albert Einstein, "e agora sou eu que estou precisando de hospital, veja só", dizia sorridente (do jeito que podia sorrir...).

E aquela gente toda, na sua curiosidade, estava ali se perguntando (eu ouvi, cambada... rsrsrs) que maluquice era aquela de uma senhora atropelada deitada no chão e um cara ali quase deitado também... e a mulher rindo! Felizmente, fazendo ela rir, ela ia se esquecendo da idéia ruim de se mexer, na quel ela ainda falou umas cinco vezes (e eu insistindo para que não, sem fazer parecer insistência).

Quando a ambulância chegou, saí de perto, respondi a algumas perguntas do bombeiro e fiquei próximo.

Veio uma viatura da PM e o policial baixinho e de cabeça grande veio com "fica ali na calçada que dá pra 'apreciar' também". O bombeiro, que pelo jeito o conhecia, passou-lhe um sabão e explicou o que eu fazia ali. Naquela altura do campeonato, e o coitado do guarda achando que eu era um desses que alimentam a curiosidade mórbida em acidentes...

Bem, após o "momento Third Watch" do dia, a gente se acalma (só percebe depois o quanto ficou nervoso) e chega a umas conclusões...

1. Eu também estranharia ver alguém deitado no asfalto e rindo... Rsrsrs...

2. O casal que atropelou done Helena parou no ato para prestar socorro, não deixando o nervosismo e o sentimento de culpa (por mais que não fossem culpados... ela atravessou fora da faixa, verdade seja dita... mas gente de bem se sente culpada assim mesmo). Foram jóias.

3. Um gari local, que eu sempre achei meio esquisito, posicionou seu carrinho de lixo na pista para impedir o avanço de outros carros desavisados. Ponto pra ele e puxão de orelha pra mim.

4. Os bombeiros do resgate se mostraram meio despreparados... Mas foram assistidos pelo paramédico do SAMU, cuja ambulância chegou poucos minutos depois da primeira. despreparo, sim, embora atendessem com boa vontade... Mas isso é assunto pra outra hora.

5. Falando em despreparo... Cresci entre ótmos policiais pra saber diferenciá-lo dos outros, gente sem qualquer estrutura que se impressiona por estar usando um boné cinza e um 38 na cintura, achando ter uma razão que nunca teve. Psicologicamente, uns coitados. Felizmente, acompanhei bem de perto os tiras de verdade ao longo da vida, pra não ter uma idéia generalizada e burra da polícia.

6. O medo de eu falar besteira  enquanto estava ali abaixado foi grande... Grande mesmo. Mas Papai do Céu tem uma mania bem interessante: Ele atende quando a gente pede orientação. Podem apostar nisso.

Bem... no fim das contas, a simpática senhora foi atendida, está tudo bem. Perdeu a ginástica de hoje mas estará novinha em folha após descansar este final de semana.

É... A vida urbana tem lá seus tropeços, claro que tem... Mas ainda assim, eu gosto demais da minha urbe.

Abração pra todo mundo e desculpas pra quem me cobrou sobre eu estar sumido daqui.



-Saboreado por: mc às 11h01
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Primavera urbana

Manhã ensolarada (e linda!) de novembro. Na calçada em frente ao simpático sobradinho de Pinheiros, a moça loira não varria lixo.

Varria flores.



-Saboreado por: mc às 08h34
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Das vantagens de ir a pé para o trabalho

 

 

 

Acordar e, como de costume, ir à janela para ver como está o tempo (e ficar feliz por o dia estar lindo, o primeiro ensolarado da primavera que chegou).

 

Tomar um banho ouvindo o CD novo (Carla Bruni, uma opção diferente), e vestir uma roupa leve (finalmente!) após tantas semanas de agasalho. Como é sexta-feira, um bom par de tênis confortáveis ao invés de sapatos.

 

Aí é que chega a parte de lá do título, de sair caminhando pela urbe.

 

Ver a vizinha nova saindo com um bebê que te dá o sorriso mais gostoso do mundo, e depois fica olhando os periquitos em revoada fazendo algazarra, deitado no carrinho mirando o céu azul.

 

Passar no Mc e pegar aquele copo de café com leite pra viagem (pra variar, eu andando na rua com um café na mão... muuuuuito original! Rsrsrs). E ser bem atendido, o que é melhor ainda.

 

Encontrar todos os semáforos (semáforos... é, me empaulistei MESMO) do caminho favoráveis a você e, na única rua que não os tem, o taxista pára o carro e te dá passagem. Gentileza ainda existe e faz muito bem (a quem dá e recebe).

 

Na frente do escritório do famoso canal de TV a cabo, a moça desconhecida de óculos escuros te pergunta as horas, e aproveita para emendar com outra pergunta: “O que é isso aí que você ta tomando? Parece estar muito bom!” A pergunta pelas horas vira um papinho rápido e gostoso de menos de um minuto. Ela tem que trabalhar e você também...

 

Num cruzamento, outra moça, ainda mais bonita, dentro do Golf preto ouvindo “Your Song” em alto e bom som (é a primeira vez que ouço alguém ouvir uma música decente com o som do carro a todo volume, pois geralmente o gosto musical do dono do carro é inversamente proporcional ao volume do rádio). Ela canta junto com o Elton John e sorri, divertidamente acanhada, percebendo que você olhava. Você devolve o sorriso, lembra da cena do “Moulin Rouge” e a música te acompanha, na cabeça, até a esquina do escritório.

 

Justamente nessa esquina, o rapaz te oferece o jornal (daquele distribuído nos... semáforos!). O jornalzinho é meio ruim, mas o rapaz oferece com tanta educação e tão sinceramente, que você aceita só por causa dele.

 

Você chega ao trabalho, agradece a Deus pela caminhada, tira os óculos escuros, termina de tomar o café com leite...

 

E escreve um post novo, após muito tempo!

 

E você? Repara no que vai colhendo pelo caminho rumo ao trabalho?

 



-Saboreado por: mc às 10h00
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Tem Sampa para todos

 

 

Há várias São Paulo dentro de São Paulo. Minha cidade é ao mesmo tempo uma só e várias. E não falo somente da idéia de que bairros são diferentes entre si, cada um concentrando certas características como vocação comercial, clima, condição social ou etnias. Embora isso também proceda, a cidade pode ser uma só e várias até no mesmo espaço geográfico delimitado, seja bairro, rua ou até o mesmo condomínio.

Há a São Paulo dos paulistanos de nascimento. Sejam de família quatrocentona ou descendentes das dezenas de nacionalidades que compõem a metrópole – 75, segundo as últimas pesquisas – muitos dos que aqui nasceram, permanecem por conveniência, laços familiares ou porque a vida calhou de acontecer por aqui. É claro que muitos paulistanos natos amam sua cidade, defendem-na, gostam dela. Mas eu já ouvi muito, de vários e vários deles, um “não gosto de São Paulo, mas já que moro aqui...”

Depois vem a São Paulo de quem veio em busca de trabalho, pura e simplesmente. O fato de ele estar nesta cidade é mera coincidência. Na verdade, esses heróicos nordestinos, nortistas ou mesmo estrangeiros visam o trabalho como fim, o sustento, e iriam para onde quer que ele estivesse. A metrópole sede de grandes indústrias recebeu em seu seio milhões de nascidos em outras paragens para alimentar a tão necessária mão-de-obra. Ainda hoje, pelas rodoviárias e aeroportos chegam pessoas em busca de uma vida melhor, tal como chegavam antigamente pelos portos do litoral lá embaixo. Hoje, a despeito do objetivo primário, ajudaram a formar a cidade tal como é, um caldeirão de diversidade étnica, social e comportamental.

Falando em trabalho, há a população flutuante. Gente que entra no perímetro paulistano todos os dias para trabalhar, voltando à noite para as cidades vizinhas, a Grande São Paulo e tantos municípios, as cidades dormitório. Aos poucos, o contrafluxo também acontece. De qualquer modo, acabam vivendo São Paulo durante o dia, pois o trabalho não quer saber quem mora onde. Almoçam, estudam e passeiam como paulistanos temporários.

E há aqueles também não nasceram aqui, mas escolheram a cidade. Ou desejavam a “Sampa” à distância até chegarem a ela, ou caíram de pára-quedas por alguma transferência pela empresa em que trabalhavam. Ou mesmo vieram só para estudar e acabaram ficando. É gente que, cedo ou tarde, um dia acorda e se sente pertencente a esse chão. O “paulistano de coração” está em casa, seja ele do Ceará, da Europa, da Ásia ou até do vizinho Rio de Janeiro – mesmo com aquela birrinha entre as duas cidades que é divertida quando vem de gente boa.

Estes últimos, dentre os quais me incluo (nascido na maresia da Guanabara, mas conquistado pela garoa), vivem Sampa de um jeito diferente dos demais. Perscrutam seus milhões de cantos, descobrem e redescobrem a urbe com aquela curiosidade natural e mais intensa de quem vem de fora. Há uma busca constante, até eles se entenderem no meio disso tudo. Constante,  pois por mais que já tenham descoberto, sempre há algo novo a descobrir.

Já vivi tempo suficiente aqui para me incomodar quando alguém fala mal de minha cidade. Afinal de contas, é aqui que trabalho, estudo, descanso, pago imposto, voto... Vivo. São quase quinze anos no lugar ao qual mais me senti ligado até hoje. Aqui realizei alguns dos maiores sonhos, me descobri entre todos estes estranhos, me achei diante de tanta gente, 19 milhões de vizinhos de todas a línguas. Nunca me esqueci de minha origem e nunca me esquecerei. Amo meu Rio, mas não posso negar que já sou mais paulistano que carioca. E não me incomodo nada com isso.

Em minha cidade, posso comer comida kosher sem ter nascido judeu – sempre maravilhosa. Posso usar os hashis à mesa ou em plena rua sem ter os olhos puxados. Posso andar pela calçada bebendo devagarinho num copo de papel da Starbucks com meu nome escrito nele sem ser norte-americano. Posso ouvir três línguas diferentes em uma simples caminhada pelo bairro. Posso comprar livros baratinhos, porém bons, em uma máquina na estação do metrô. Posso descobrir ingredientes nunca antes imaginados por mim no Mercadão Municipal. Descubro o que há por trás do escondidinho, e o cheiro da paçoca com suas cebolas douradas e carne de sol. Doce de jiló e suco de rosas na mesma praça, vejam só! Botequim carioca em plena Faria Lima, com bolinho de bacalhau e tudo. Cachorro quente “histórico" de pé à beira do balcão no Largo do Café. Posso me sentir no início do século XX com uma xícara de café cheiroso em uma mesa de mármore branco, ferro e madeira em São Bento, imaginando os bondes lá fora. Posso me sentir num mercado de pulgas europeu em vários bairros, pra que quer antiguidades de verdade ou mesmo simples tranqueiras como bijuteriazinhas ou brinquedos de colecionador. Posso ser cumprimentado por um salam aleikol...

Aqui posso ver uma roda de capoeira no meio do parque em que, a poucos metros, outro grupo segue os movimentos suaves do tai chi chuan. Mais na frente, o cheiro de mate verde denuncia um chimarrão quentinho. Posso até não dançar uma tarantella na cantina, mas não resisto e bato palmas com gente de todas as mesas sob as garrafas de vinho, fitas e camisetas de futebol suspensas do teto. Faço compras às duas da manhã e posso “almoçar” a qualquer momento do dia ou da noite. Coisas de Sampa. Feijoada Às quartas e sábados, peixe na sexta e, segunda-feira, virado à paulista, que tanto lembra Minas Gerais! É muito bom essa gente toda ter trazido um pouco de seus países, estados e cidades pra cá e compartilhar conosco, como se nos recebessem lá em suas terras de origem. E passamos a ter alguns desses hábitos a ponto de eles fazerem falta quando ficamos muito tempo sem eles.

Ainda não falo “ô meu”, nem me vejo falando – mas a um “ôrra” eu até solto vez em quando. Mas é muito gostosa uma sensação que eu tenho tido ultimamente. Na hora em que o avião vai descendo e vou vendo aquele mar de arranha-céus chegando mais e mais perto, é inevitável... Vem aquele sorriso no rosto e a gostosa sensação. “Cheguei, tou em casa”.

Por melhor que a viagem tenha sido.



-Saboreado por: mc às 09h38
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Roupa suja se lava em casa, a boa novidade no supermercado & o retorno ao blog

Todo “dono de casa” que se preza adora um supermercado. Comigo não é diferente.

Já faz um tempo que ando meio assim com o sabão em pó Omo, que mudou (e encareceu) muito de uns tempos pra cá. Mas todas as vezes que procurei algum diferente, me decepcionei. Mas qual não foi minha surpresa quando fui ontem a um Pão de Açúcar daqui do bairro!

 

Fiquei eu matutando entre marca fulana e sicrana, quando fui abordado por uma moça muito educada oferecendo orientação. Ela é de uma consultoria que presta serviços ao supermercado para melhor orientação os clientes segundo suas necesidades.

Não só recebi uma senhora aula de procedimentos corretos e mitos sobre lavar roupas, como ela levou em conta cada aspecto: tipo de máqina, quantidade, modo de usar, marcas de acordo com o que eu preciso, o que evitar, etc.

 

Todo supermercado de grande porte deveria ter especialistas assim pra vários tipos de produtos! Não só o cliente ganha, como o mercado sabe mais sobre seus freqüentadores.

 

Para ajudar, a moça foi simpaticíssima, educada, bonita e teve a maior paciência, mostrando que entendia mesmo do assunto, tendo recebido um senhor treinamento!

 

São procedimentos como esses que geram fidelidade do cliente, satisfação e fazem algo de que gosto muito – fazer compras e cuidar de minha casinha – ainda melhor.

 

Ah, os orientadores também pedem o retorno do cliente para saberem se tudo funcionou corretamente – e, podem acreditar, fazem tudo com isenção, imparcialidade, não privilegiando esta ou aquela marca.

 

No fim das contas, sim, fiquei satisfeito com o resultado do novo sabão, uma marca que eu nunca havia usado e que subiu em meu conceito.

 

Nada como ser bem atendido, não é? Isso podia se espalhar pelos estabelecimentos que ainda não descobriram que cliente satisfeito volta, e que de respeito e educação todo mundo gosta. Em alguns estados em que estive, acreditem, atendem tão mal que só falta darem um coice no freguês.

 

P.S.: Como podem ver, parece que voltei aos comentários da vida urbanóide! Aos poucos, vou voltando ao velho estilo. Podem deixar.



-Saboreado por: mc às 17h44
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Pausa involuntária

 

Escritório. Dia chato. Mil compromissos sendo cumpridos, um a um, seguindo a lista que diminui de um lado e aumenta de outro.

 

Duas mesas, lado a lado, de frente para a janela.

 

Lá fora, um dia tremendamente azul de início de outono, que acontece bem azul mesmo, a despeito dos compromissos dos simples mortais.

 

O ocupante da mesa da esquerda olha para cima, pela janela:

 

– Olha lá! Um cavalo-marinho!

 

A ocupante da mesa da direita:

 

– É mesmo! Que lindo!

 

Alguns segundos e dois suspiros depois, o cavalo-marinho começou a fingir que era uma nuvem pequena e disforme de novo, mas continuou a navegar pelo azul do céu rumo a outras paragens.

 

Mas deixou dois sorrisos pra trás, que fizeram o dia atribulado valer a pena.

-Saboreado por: mc às 13h50
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Calma...

Calma, calma que eu tô voltando! Mais um pouco e teremos posts.

-Saboreado por: mc às 08h58
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Santo Remédio...

 

Dia chato, um tanto triste até, que você quer encurtar ficando até mais tarde na cama...

Tentando recuperar algo dele, uma caminhada até chegar ao café do casal de amigos gente boa. Lá, uma surpresa: a netinha deles, com um avental igual ao dos avós - só que em miniatura, claro. Serve e entrega os flyers da casa que tira do bolso do avental, brincando de trabalhar e aprendendo, ao mesmo tempo.

Como de praxe, o casal me dá o controle-remoto da TV a cabo para eu me distrair após ter lido todos os jornais e revistas (ô, saudade de minha assinatura da Sky...). A loirinha senta-se comigo no sofá e, sem querer, começamos a zapear. Paramos na reprise da reprise da reprise de “O Grinch”, não o desenho, mas o filme com o Jim Carrey.

Eu, de repente, me esqueço da tristeza e do desânimo, e me ponho a rir como se também tivesse os seis anos da menininha loirinha de cabelos encaracolados. Rio com vontade, como se estivesse vendo o filme pela primeiríssima vez. Rio até mesmo das coisas mais bobas (venhamos e convenhamos, o filme foi bem feitinho). Pra mim, que amo o Natal, foi duplamente gostoso.

Lembrou-me de quando eu me sentava no chão, no meio da criançada na Fnac, pra ouvir as contadoras de histórias Cris e Chiara. E saía de alma limpa.

Depois, a loirinha foi lá dentro, tirou o aventalzinho, pôs na pequenina mochila florida de pano que levou às costas (e ficou parecendo aquelas crianças vestidas de anjinho nas procissões, com suas asinhas de algodão e arame) e foi-se embora, segurando a mão da avó pela calçada afora.

                  Mal sabe ela o bem que fez, só por estar ali.

-Saboreado por: mc às 13h38
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Oi...

 

Num dia de feriado, num café em que vou quando posso (infelizmente é raro), para relaxar, eu reli boa parte do blog. Sinceramente? Achei a maior parte do que escrevi uma porcaria. E, dos posts que gostei, vi que podem melhorar muito...

 

É que eu sempre escrevi aqui sem a menor preocupação com correções... Era como se fosse uma regra para escapar das regras. Vivo de escrever, embora com certa liberdade, mas cerceado pelas regras – que devem mesmo existir, fazem parte do trabalho, e não as rejeito. Não é pra ser contra regras, mas é só pra me sentir livre um pouquinho, um hobby sem compromisso.

 

Achei quase tudo uma droga, mas... Sempre me fez muito bem escrever aqui. Sempre me fez bem ver as coisas acontecendo, com algum significado, e escrever sobre aquilo. Gente que passa na rua com atitudes simples, mas boas. Lugares que inspiram algo de bom... Ver a vida passando na cidade grande, que pode ser muito boa se soubermos ver...

 

E, pra ser sincero, estou precisando muito disso. Preciso muito andar e ver a vida acontecendo, ver as coisas boas em uma simples caminhada na rua. Preciso demais.

 

Eu não quero parar com o blog, mas não tenho visto nada para escrever. Até deve estar acontecendo algo, mas eu é que não reparo mais, acho. Não tenho mais saído com aquele olhar observador, algo que era até involuntário, e por isso tão bom.

 

Conseguiram tirar a graça da minha “terapia” quase diária que era escrever aqui.

-Saboreado por: mc às 08h36
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Estava escrito

Caminhando pela rua, vejo na grande janela do andar superior de um sobrado um cartãozinho de papel apoiado na grade, com uma carinha infantilmente desenhada e um recadinho aos passantes:

- Sorria!

Funcionou.



-Saboreado por: mc às 14h47
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