Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Liliane Prata
- Taxitramas
- Camila Bianchi - Divagando
- Daniele - Londres
- Olivia de Perto (com sua bela voz)







Tem Sampa para todos

 

 

Há várias São Paulo dentro de São Paulo. Minha cidade é ao mesmo tempo uma só e várias. E não falo somente da idéia de que bairros são diferentes entre si, cada um concentrando certas características como vocação comercial, clima, condição social ou etnias. Embora isso também proceda, a cidade pode ser uma só e várias até no mesmo espaço geográfico delimitado, seja bairro, rua ou até o mesmo condomínio.

Há a São Paulo dos paulistanos de nascimento. Sejam de família quatrocentona ou descendentes das dezenas de nacionalidades que compõem a metrópole – 75, segundo as últimas pesquisas – muitos dos que aqui nasceram, permanecem por conveniência, laços familiares ou porque a vida calhou de acontecer por aqui. É claro que muitos paulistanos natos amam sua cidade, defendem-na, gostam dela. Mas eu já ouvi muito, de vários e vários deles, um “não gosto de São Paulo, mas já que moro aqui...”

Depois vem a São Paulo de quem veio em busca de trabalho, pura e simplesmente. O fato de ele estar nesta cidade é mera coincidência. Na verdade, esses heróicos nordestinos, nortistas ou mesmo estrangeiros visam o trabalho como fim, o sustento, e iriam para onde quer que ele estivesse. A metrópole sede de grandes indústrias recebeu em seu seio milhões de nascidos em outras paragens para alimentar a tão necessária mão-de-obra. Ainda hoje, pelas rodoviárias e aeroportos chegam pessoas em busca de uma vida melhor, tal como chegavam antigamente pelos portos do litoral lá embaixo. Hoje, a despeito do objetivo primário, ajudaram a formar a cidade tal como é, um caldeirão de diversidade étnica, social e comportamental.

Falando em trabalho, há a população flutuante. Gente que entra no perímetro paulistano todos os dias para trabalhar, voltando à noite para as cidades vizinhas, a Grande São Paulo e tantos municípios, as cidades dormitório. Aos poucos, o contrafluxo também acontece. De qualquer modo, acabam vivendo São Paulo durante o dia, pois o trabalho não quer saber quem mora onde. Almoçam, estudam e passeiam como paulistanos temporários.

E há aqueles também não nasceram aqui, mas escolheram a cidade. Ou desejavam a “Sampa” à distância até chegarem a ela, ou caíram de pára-quedas por alguma transferência pela empresa em que trabalhavam. Ou mesmo vieram só para estudar e acabaram ficando. É gente que, cedo ou tarde, um dia acorda e se sente pertencente a esse chão. O “paulistano de coração” está em casa, seja ele do Ceará, da Europa, da Ásia ou até do vizinho Rio de Janeiro – mesmo com aquela birrinha entre as duas cidades que é divertida quando vem de gente boa.

Estes últimos, dentre os quais me incluo (nascido na maresia da Guanabara, mas conquistado pela garoa), vivem Sampa de um jeito diferente dos demais. Perscrutam seus milhões de cantos, descobrem e redescobrem a urbe com aquela curiosidade natural e mais intensa de quem vem de fora. Há uma busca constante, até eles se entenderem no meio disso tudo. Constante,  pois por mais que já tenham descoberto, sempre há algo novo a descobrir.

Já vivi tempo suficiente aqui para me incomodar quando alguém fala mal de minha cidade. Afinal de contas, é aqui que trabalho, estudo, descanso, pago imposto, voto... Vivo. São quase quinze anos no lugar ao qual mais me senti ligado até hoje. Aqui realizei alguns dos maiores sonhos, me descobri entre todos estes estranhos, me achei diante de tanta gente, 19 milhões de vizinhos de todas a línguas. Nunca me esqueci de minha origem e nunca me esquecerei. Amo meu Rio, mas não posso negar que já sou mais paulistano que carioca. E não me incomodo nada com isso.

Em minha cidade, posso comer comida kosher sem ter nascido judeu – sempre maravilhosa. Posso usar os hashis à mesa ou em plena rua sem ter os olhos puxados. Posso andar pela calçada bebendo devagarinho num copo de papel da Starbucks com meu nome escrito nele sem ser norte-americano. Posso ouvir três línguas diferentes em uma simples caminhada pelo bairro. Posso comprar livros baratinhos, porém bons, em uma máquina na estação do metrô. Posso descobrir ingredientes nunca antes imaginados por mim no Mercadão Municipal. Descubro o que há por trás do escondidinho, e o cheiro da paçoca com suas cebolas douradas e carne de sol. Doce de jiló e suco de rosas na mesma praça, vejam só! Botequim carioca em plena Faria Lima, com bolinho de bacalhau e tudo. Cachorro quente “histórico" de pé à beira do balcão no Largo do Café. Posso me sentir no início do século XX com uma xícara de café cheiroso em uma mesa de mármore branco, ferro e madeira em São Bento, imaginando os bondes lá fora. Posso me sentir num mercado de pulgas europeu em vários bairros, pra que quer antiguidades de verdade ou mesmo simples tranqueiras como bijuteriazinhas ou brinquedos de colecionador. Posso ser cumprimentado por um salam aleikol...

Aqui posso ver uma roda de capoeira no meio do parque em que, a poucos metros, outro grupo segue os movimentos suaves do tai chi chuan. Mais na frente, o cheiro de mate verde denuncia um chimarrão quentinho. Posso até não dançar uma tarantella na cantina, mas não resisto e bato palmas com gente de todas as mesas sob as garrafas de vinho, fitas e camisetas de futebol suspensas do teto. Faço compras às duas da manhã e posso “almoçar” a qualquer momento do dia ou da noite. Coisas de Sampa. Feijoada Às quartas e sábados, peixe na sexta e, segunda-feira, virado à paulista, que tanto lembra Minas Gerais! É muito bom essa gente toda ter trazido um pouco de seus países, estados e cidades pra cá e compartilhar conosco, como se nos recebessem lá em suas terras de origem. E passamos a ter alguns desses hábitos a ponto de eles fazerem falta quando ficamos muito tempo sem eles.

Ainda não falo “ô meu”, nem me vejo falando – mas a um “ôrra” eu até solto vez em quando. Mas é muito gostosa uma sensação que eu tenho tido ultimamente. Na hora em que o avião vai descendo e vou vendo aquele mar de arranha-céus chegando mais e mais perto, é inevitável... Vem aquele sorriso no rosto e a gostosa sensação. “Cheguei, tou em casa”.

Por melhor que a viagem tenha sido.



-Saboreado por: mc às 09h38
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Roupa suja se lava em casa, a boa novidade no supermercado & o retorno ao blog

Todo “dono de casa” que se preza adora um supermercado. Comigo não é diferente.

Já faz um tempo que ando meio assim com o sabão em pó Omo, que mudou (e encareceu) muito de uns tempos pra cá. Mas todas as vezes que procurei algum diferente, me decepcionei. Mas qual não foi minha surpresa quando fui ontem a um Pão de Açúcar daqui do bairro!

 

Fiquei eu matutando entre marca fulana e sicrana, quando fui abordado por uma moça muito educada oferecendo orientação. Ela é de uma consultoria que presta serviços ao supermercado para melhor orientação os clientes segundo suas necesidades.

Não só recebi uma senhora aula de procedimentos corretos e mitos sobre lavar roupas, como ela levou em conta cada aspecto: tipo de máqina, quantidade, modo de usar, marcas de acordo com o que eu preciso, o que evitar, etc.

 

Todo supermercado de grande porte deveria ter especialistas assim pra vários tipos de produtos! Não só o cliente ganha, como o mercado sabe mais sobre seus freqüentadores.

 

Para ajudar, a moça foi simpaticíssima, educada, bonita e teve a maior paciência, mostrando que entendia mesmo do assunto, tendo recebido um senhor treinamento!

 

São procedimentos como esses que geram fidelidade do cliente, satisfação e fazem algo de que gosto muito – fazer compras e cuidar de minha casinha – ainda melhor.

 

Ah, os orientadores também pedem o retorno do cliente para saberem se tudo funcionou corretamente – e, podem acreditar, fazem tudo com isenção, imparcialidade, não privilegiando esta ou aquela marca.

 

No fim das contas, sim, fiquei satisfeito com o resultado do novo sabão, uma marca que eu nunca havia usado e que subiu em meu conceito.

 

Nada como ser bem atendido, não é? Isso podia se espalhar pelos estabelecimentos que ainda não descobriram que cliente satisfeito volta, e que de respeito e educação todo mundo gosta. Em alguns estados em que estive, acreditem, atendem tão mal que só falta darem um coice no freguês.

 

P.S.: Como podem ver, parece que voltei aos comentários da vida urbanóide! Aos poucos, vou voltando ao velho estilo. Podem deixar.



-Saboreado por: mc às 17h44
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Desculpas

Bem, eu sempre tive no blog um cantinho que me trazia paz. E o melhor era que eu podia compartilhar um pouquinho dela com quem o lia.

 

Acontece que, como o tal do ser humano corrompe tudo, estão usando o blog pra patrulhar a minha vida, como se tivessem algo a ver com ela.

 

Há gente louca que está entrando aqui, lendo os comentários e indo aos blogs de quem comenta, pra me vigiar como se tivessem algum direito a isso. Gente que não se toca de que devia cuidar da própria vida e deixar os outros em paz. Gente mal resolvida, mas que não se toca por falta de educação, desconfiômetro e semancol.

 

Isso acabou por me tirar um dos maiores prazeres que eu tinha, o de escrever aqui. Muitas situações aconteceram, muita coisa legal foi vista, tudo que merecia um post, mas a vontade desapareceu, por ataques de loucura de gente que nunca teve nada a ver com isso aqui.

 

Quando me convenceram a escrever um blog, eu disse que temia por essa exposição, que podiam começar a se meter na minha vida, pois a gente se expõe. Mesmo no meu caso, mesmo eu quase nunca falando de mim.

 

Espero que certas pessoas, que chegam até mesmo à atitude mesquinha e imatura de forjar identidade falsa, e-mails falsos e tudo mais, cuidem da própria vida e não corrompam o que é de outros. Fingem ser outras pessoas pra “fazer amizade” comigo, corrompendo também algo que levo muito a sério (a amizade), mesmo tendo poucos amigos verdadeiros (como todo mundo). Sempre gostei das amizades que fiz aqui, gente muito boa e honesta. Mas tem gente que tem prazer em te envolver por todos os lados e acabar com o resto pra ter sua atenção absoluta. Gente com a alma suja. Gente que mente deslavadamente – o que eu simplesmente odeio.

 

Um assunto bem interessante pra meu advogado e pra polícia, se continuar a me encher.

 

Espero que desapareçam e sejam felizes da forma que puderem, se é que podem, pois gente assim estraga tudo em que põe a mão.

 

Espero também que os leitores que sempre apareceram por aqui com a melhor das intenções entendam o motivo da ausência. E me desculpem por isso. Mas eu também me sinto mal por ter deixado que gente de mente pequena tenha estragado o meu prazer de escrever aqui, o que sempre me fez muito bem. Tinha muita coisa bacana que era pra ser escrita, mas não vai rolar.

 

Tou até com vergonha de uma situação tão ridícula. Principalmente pelo fato de me expor. Tenho asco desse negócio de exposição que acabou virando moda.

 

Desculpa, gente. Mas tem gente que não se toca. Nem mesmo se tocarão depois de ler isso aqui, pois esse tipo de gente não tem consciência pra pesar.

 

O bloguinho não merecia isso. Nunca pensei que um dia eu teria que escrever esse tipo de coisa num cantinho tão especial pra mim e pra alguns leitores que me acompanham há anos e me tratam com o maior carinho, desinteressadamente. Homens e mulheres (e crianças!) que resolveram abrir os olhos para as coisas legais do dia-a-dia, das quais falo aqui. Nunca pensei que um dia eu teria que escrever essas coisas, o que faço com muita vergonha.

 

Bem, acho que é isso.



-Saboreado por: mc às 17h16
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Pausa involuntária

 

Escritório. Dia chato. Mil compromissos sendo cumpridos, um a um, seguindo a lista que diminui de um lado e aumenta de outro.

 

Duas mesas, lado a lado, de frente para a janela.

 

Lá fora, um dia tremendamente azul de início de outono, que acontece bem azul mesmo, a despeito dos compromissos dos simples mortais.

 

O ocupante da mesa da esquerda olha para cima, pela janela:

 

– Olha lá! Um cavalo-marinho!

 

A ocupante da mesa da direita:

 

– É mesmo! Que lindo!

 

Alguns segundos e dois suspiros depois, o cavalo-marinho começou a fingir que era uma nuvem pequena e disforme de novo, mas continuou a navegar pelo azul do céu rumo a outras paragens.

 

Mas deixou dois sorrisos pra trás, que fizeram o dia atribulado valer a pena.

-Saboreado por: mc às 13h50
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Calma...

Calma, calma que eu tô voltando! Mais um pouco e teremos posts.

-Saboreado por: mc às 08h58
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Santo Remédio...

 

Dia chato, um tanto triste até, que você quer encurtar ficando até mais tarde na cama...

Tentando recuperar algo dele, uma caminhada até chegar ao café do casal de amigos gente boa. Lá, uma surpresa: a netinha deles, com um avental igual ao dos avós - só que em miniatura, claro. Serve e entrega os flyers da casa que tira do bolso do avental, brincando de trabalhar e aprendendo, ao mesmo tempo.

Como de praxe, o casal me dá o controle-remoto da TV a cabo para eu me distrair após ter lido todos os jornais e revistas (ô, saudade de minha assinatura da Sky...). A loirinha senta-se comigo no sofá e, sem querer, começamos a zapear. Paramos na reprise da reprise da reprise de “O Grinch”, não o desenho, mas o filme com o Jim Carrey.

Eu, de repente, me esqueço da tristeza e do desânimo, e me ponho a rir como se também tivesse os seis anos da menininha loirinha de cabelos encaracolados. Rio com vontade, como se estivesse vendo o filme pela primeiríssima vez. Rio até mesmo das coisas mais bobas (venhamos e convenhamos, o filme foi bem feitinho). Pra mim, que amo o Natal, foi duplamente gostoso.

Lembrou-me de quando eu me sentava no chão, no meio da criançada na Fnac, pra ouvir as contadoras de histórias Cris e Chiara. E saía de alma limpa.

Depois, a loirinha foi lá dentro, tirou o aventalzinho, pôs na pequenina mochila florida de pano que levou às costas (e ficou parecendo aquelas crianças vestidas de anjinho nas procissões, com suas asinhas de algodão e arame) e foi-se embora, segurando a mão da avó pela calçada afora.

                  Mal sabe ela o bem que fez, só por estar ali.

-Saboreado por: mc às 13h38
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Oi...

 

Num dia de feriado, num café em que vou quando posso (infelizmente é raro), para relaxar, eu reli boa parte do blog. Sinceramente? Achei a maior parte do que escrevi uma porcaria. E, dos posts que gostei, vi que podem melhorar muito...

 

É que eu sempre escrevi aqui sem a menor preocupação com correções... Era como se fosse uma regra para escapar das regras. Vivo de escrever, embora com certa liberdade, mas cerceado pelas regras – que devem mesmo existir, fazem parte do trabalho, e não as rejeito. Não é pra ser contra regras, mas é só pra me sentir livre um pouquinho, um hobby sem compromisso.

 

Achei quase tudo uma droga, mas... Sempre me fez muito bem escrever aqui. Sempre me fez bem ver as coisas acontecendo, com algum significado, e escrever sobre aquilo. Gente que passa na rua com atitudes simples, mas boas. Lugares que inspiram algo de bom... Ver a vida passando na cidade grande, que pode ser muito boa se soubermos ver...

 

E, pra ser sincero, estou precisando muito disso. Preciso muito andar e ver a vida acontecendo, ver as coisas boas em uma simples caminhada na rua. Preciso demais.

 

Eu não quero parar com o blog, mas não tenho visto nada para escrever. Até deve estar acontecendo algo, mas eu é que não reparo mais, acho. Não tenho mais saído com aquele olhar observador, algo que era até involuntário, e por isso tão bom.

 

Conseguiram tirar a graça da minha “terapia” quase diária que era escrever aqui.

-Saboreado por: mc às 08h36
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Estava escrito

Caminhando pela rua, vejo na grande janela do andar superior de um sobrado um cartãozinho de papel apoiado na grade, com uma carinha infantilmente desenhada e um recadinho aos passantes:

- Sorria!

Funcionou.



-Saboreado por: mc às 14h47
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Pausa pro café à guisa de retorno

Bem... minha cabeça está cheia. ‘Pobremas, pobremas...’

 

E a carga de trabalho de 2008 promete... Tudo bem! Antes assim!

 

Mas eu não ia falar disso. Muita gente tá me cobrando (com razão) um post novo. Nunca parei por tanto tempo. Então eu tava aqui escrevendo feito um louco e resolvi que era hora de uma pausa de uns 5 minutos pra um café, pra descansar senão sai fumacinha pelos ouvidos. Bom o rapaz... resolveu descansar a cabeça... escrevendo! Cada doido com sua mania.

 

Bem. Vamos ao assunto. Há aqui na rua da editora um restaurante de origem indiretamente francesa repleto de charme em sua simplicidade (mas dele eu falarei com mais pormenores em outro post só dele...). Eu estava PRECISANDO de uns minutinhos em paz pra voltar a escrever, e fui pra ele, cuja dona tornou-se grande amiga. Fiz meu pratinho, bonito como só e fui procurar uma mesa que fica sob uma janela. Do lado de fora dessa janela, alfazemas cujo aroma vem pelo vento que entra. Cada garfada é um espetáculo à parte. A comida “dialoga” contigo, te diz algo, recusando ser somente engolida como fazem os espíritos pobres (excetuo desta alcunha as pessoas infelizmente sem tempo). Neste cenário do lindo sobrado antigo naturalmente perfumado, abri uma revista de leitura leve e gostosa, que estou aprendendo a apreciar por seu estilo. Aí uma certa cantora que todo mundo sabe que adoro começou com uma música bem levinha e gostosa no som pra completar o cenário. Após um café, a costumeira e breve caminhada até uma pracinha próxima. Ao sair do restaurante, o sol me esquentou o corpo e não tive como não sorrir, agradecendo aqui dentro. As ávores filtraram os raios e fui apreciando o casario antigo que a pressa esconde de mim quase sempre.

 

 Conversei rapidamente com um rapaz que regava uma casa. Regava uma “casa”? É, mais ou menos... Ela é coberta de hera em toda a fachada e lateral,e  o rapaz a aguava com uma mangueira. A tal casa, pra nossa felicidade de escritório, será... um café.

 

Uma passadinha na revistaria do shopping e retornei com as baterias recarregadas.

 

Prometo posts melhores. Esse foi só pra tentar retornar à velha forma...

E assim, passaram-se os 5 minutinhos.



-Saboreado por: mc às 18h12
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Após longa ausência...

 

Durante uns meses, deixei o bloguinho de lado. Há várias justificativas.

 

Uma é que saí da editora em que estava, e trabalhei durante um tempo como freelancer, o que tem seus prós e contras. Pró é que seu tempo aumenta, contra, é que não curto mais, não sei o porquê, escrever em casa. Gostava de postar antes do expediente, na editora, ou na hora do almoço.

 

Outra... é um pouco mais complicada. Em suma, pego carona com Kleyton e Kledir:

“Deu pra ti

baixo astral

vou pra Porto Alegre

tchau!”

 

Há pouco mais de um mês, estou em nova editora, nova cidade, nova faculdade, tudo novo! Vim morar na capital gaúcha.

Saí da minha urbe querida, metrópole amada, sempre festejada nestas linhas. Continuo amando minha Sampa, mas agora sou visita... Após 13 anos, respiro outros ares e estou gostando.

O TMC mudou de endreço físico, mas não de virtual. E o caráter dos posts continuará o mesmo, mostrando como a vida urbana é bacana não somente mais em Sampa, mas em qualquer outro lugar em que a urbe mereça ser comentada. Estou viajando bastante, e isso pode render muitos textos.

Só o tempo pra isso é que é raríssimo... Portanto, perdoem-me de antemão.

 

Nunca falo muito de mim aqui, mas precisava explicar a alguns que andavam me perguntando pelo motivo da ausência.

 

Em breve, você poderá ver lugares bem bacanas de POA por aqui.

 

Abração! (Senti falta disso aqui...)

 

 



-Saboreado por: mc às 11h58
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Leve erotismo

 

 

 

 

 

 

A tarde começava, azul e ensolarada, naquele bonito parque em pleno centro da grande cidade. Os raios do sol gostosamente filtrados pela copa das árvores mais que centenárias, naquele canto da urbe em que ainda era possível sentir cheiro de mato.

Recebendo os raios finos que desciam por entre as folhas, estava a estátua, uma mulher desnuda, branca em seu mármore de milhões de anos, mas que tomou forma feminina há menos de cem e foi habitar na pequeníssima mata urbana. Saiu da natureza em rocha disforme, e voltou a ela em forma de mulher.

Voejava ali por perto uma pequena borboleta, amarela, laranja, vermelha e preta. Não era obra de um escultor, como a moça de pedra, mas de um artista tão criativo que criou até mesmo os artistas. Uma obra prima alada e viva.

A pequena borboleta foi descendo pelos delgados raios de sol que refletiam em seu colorido. Por um tempo pareceu parada em pleno ar, mas retomou a descida, até o ombro esquerdo da estátua. Quem passasse por ali de repente àquela hora poderia pensar que ambas, embora de materiais diferentes, eram uma só obra de arte.

A borboletinha saiu de seu descanso imóvel de poucos segundos, e começou a andar pelo ombro em que pousara. As asas abriam e fechavam bem devagar durante a lenta caminhada. Desceu lentamente pelo ombro, chegou ao colo... parou por um instante.

Retomou a descida, ainda somente andando. Chegou ao mamilo do seio  esquerdo, desnudo, da escultura. Como descera, estava de cabeça para baixo. Sem sair de onde estava, começou a se virar para ficar de cabeça para cima, girando 180 graus. Embora parada, mexia as patinhas suavemente o tempo todo, acariciando a superfície branca e lisa do mármore com suas delicadas patinhas.

Se viva a estátua fosse, naquele exato momento não se mexeria, mas não por ser estátua... Não se moveria para desfrutar, olhos fechados, a sensação dos delicadíssimos toques da borboleta que escolhera lugar tão interessante para seu pouso. Se viva fosse, naquele exato momento morderia o lábio inferior, até não agüentar e deixar sair com alívio um sussurro, qual um gemido de prazer. Prazer gerado por aqueles pequenos toques que, de tão suaves, quase não chegavam a ser mesmo toques.

Se viva a estátua fosse... como desejou naquele momento o jovem sentado no banco de madeira próximo dali, deslumbrado com a cena que o dia bonito lhe dera de presente. Ele entenderia muito bem o lábio entre os dentes, o sussurro da moça de pedra, cujo mármore perdeu a frieza ao toque suave das patas de uma borboleta.



-Saboreado por: mc às 01h43
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Madrugada do quase findo verão

Calor infernal como nunca visto em Sampa. Dia cheio, mas interessante, após a noite não dormida nem alguns minutos. Dia que já começou diferente.

Passou a noite inteira escrevendo e conversando. Quando eram quase cinco da manhã, pôs uns tênis confortáveis e foi atrás de algo para comer. O McDonald’s aberto 24h (bendita a vida na cidade grande) o recebeu com um sanduíche, um espresso bem tirado e um cookie de chocolate que, se não estava lá tão bom, também não estava lá tão ruim. Aproveitou para escrever mais, delinear melhor a matéria cujo deadline era naquele dia que nascia. Aproveitou também para caminhar pela manhã linda que se descortinava, prometendo calor exagerado. Cinco da manhã e 25 graus...

Ele gosta de ver o comércio abrindo, as pessoas saindo para o trabalho como ele mesmo muito já o fez. Passou na padaria (também 24h) e não gostou do pão, do preço e nem da má-vontade dos atendentes para com os clientes. Se o atendimento já é ruim, mesmo que o resto seja bom não vale a pena. Saiu sem pão.

Passou duas vezes em frente ao seu prédio. Caminhada gostosa. Resolveu entrar na terceira. Tomou um delicioso banho e pôs uma roupa leve.

Novamente a rua. Cabelos molhados (não mais compridos como antes, bem curtos agora), óculos escuros, roupa leve e gostosa e laptop na mochila. Entrou no café preferido e pediu algo fora do cardápio, cuja vontade de comer chegou enquanto caminhava. Bacon sequinho, ovos moles, pão e outro espresso. Pratos sujos de lado, abriu o computador e escreveu por mais de duas horas.

Foi em casa, deixou o computador e foi pagar contas. Voltou. Não conseguia escrever. Pegou de novo o notebook e de novo ao café predileto, mas sem café quente, pelo calor quase desértico... Um mate geladinho com açaí e guaraná caiu bem, revigorante e gostoso. Finalmente, terminou o raio da matéria, burocrática e sem graça, como lhe foi pedido... Business, fazer o quê...

Passadinha na editora, cumprimentou os amigos e pegou as revistas mais novas. Fome. Chegou em casa e vasculhou o armário atrás da compra da noite anterior (supermercado... 24h! Isso aqui é o paraíso!), depois que saiu do inglês.

Curtiu cozinhar. Comprou tudo o que quis, todos os ingredientes. Pelo menos de vez em quando na vida é gostoso não fazer lá tanta economia. Ele trabalha, ele merece...

Fuzzilli italiano tricolor, creme de leite, salsa seca e cheirosa, atum fresco, leite de coco, camarões, azeitonas picadas, cebola cheirosa e não ardida limão fresquinho, coentro, alho picadinho, azeite do bom... Salada de rúcula, alface americana e radichio roxo, com salsichinhas diminutas e ovos de codorna, com o molho italiano de que tanto gosta (mas não gostou muito do light...) e mais azeite do bom, do ótimo. Tudo italiano sem querer, junto.

Pra acompanhar o vinho branco (não italiano... chileno, surpreendentemente barato, mas ótimo!!!), o bendito canal da TV com Billie Holiday, Ray Charles, Jamie Cullum, Chet Baker, Sinatra (The Voice... sempre presente), Tony Bennett, Jane Monheit, Nat King Cole e mais Billie... Sorriu o tempo todo e só percebeu depois quando começou a cantar alto o que ouvia. Um gole do vinho estimulava a voz.

Saber ver a felicidade em pequenas coisas às vezes faz maravilhas.

Aliás, sempre!



-Saboreado por: mc às 19h00
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Pra quem estranha a ausência

Estarei meio "fora do ar" do blog por uns tempos, até me acostumar a algumas mudanças em minha vida. Não que eu não queira postar, mas não tenho conseguido ter o tempo que o TMC e vocês merecem.

Mas volto em breve, ok?

Bj e abraço pra todo mundo,

mc



-Saboreado por: mc às 02h13
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Vamos ver qual é...

Nunca brinquei dessas coisas antes. Mas como estou meio sem idéias pra postar, vale a pena. Foi a Jéssica, do Mordida na Maçã (linkado ali ao lado) que mandou. Taí, Jé (peguei carona em algumas respostas suas por serem em comum):

Cinco coisas que quero fazer antes de morrer?

01) Conhecer outros lugares e sua gente, em qualquer parte do planeta.

02) Escrever essas experiências mostrando como estes lugares e pessoas são, sem estereótipos batidos.

03) Viver do que gosto.

04) Ter um cantinho meu que eu possa montar segundo o meu jeito (ou nosso, conforme o caso e a época), com a minha cara, pra não só morar, mas curtir.

05) Nunca deixar que o dinheiro seja meu dono, e sim eu o dele.

Cinco coisas que eu faço bem?

01) Dizem que escrever. Dá pro gasto (eu quase sempre não gosto).

02) Cozinhar (nin guém foi pro hospital e perdi um pouco o jeito, mas estou recuperando até que mt bem).

03) Cuidar de quem gosto.

04) Gostar das coisas mais simples de todo dia.

05) Coisas impublicáveis por este e aquele motivo...

Cinco coisas que eu mais digo?

01) Cara.

02) Caspita.

03) Dio mio, Dio Santo e similares.

04) Por favor, obrigado (nesta ordem).

05) Coisas impublicáveis por este e aquele motivo...

Cinco coisas que eu não faço ou não goste de fazer?

01) Passar roupa (deteeeeesto).

02) Lavar louça (odeeeeeio).

03) Carne bovina bem passada (tem que ter saaaangue escorrendo).

04) Encostar em lugares de limpeza duvidosa (qualquer coisa em banheiro público, maçaneta, corrimão, apoios de ônibus...)

05) Lugares mal cuidados, que poderiam ser bem melhores, como cidades e bairros sem estrutura pela cabeça ruim de quem vive neles.

Cinco coisas que me encantam?

01) Crianças, em vários momentos.

02) Bichos.

03) Trabalho bem feito, seja qual for.

04) Lugares com personalidade, feitos e mantidos por gente idem.

05) Atitudes de carinho, dadas e recebidas.

Cinco coisas que eu odeio?

01) Burocracia, seja qual for (buRRocracia)

02) Quem quer tirar proveito de tudo e fazer os outros de idiotas. Nacionalmente conhecidos como espertinhos (concordei, Jé). Esperto de verdade é quem consegue vencer honestamente, sem maracutaia.

03) Gente sem educação, estúpida, grosseira.

04) Computadores (um mal necessário...).

05) Atendimento eletrônico em telefone, com gravações e inúmeras opções que me tira do sério.

Cinco pessoas para responder isto?

01) Camila (Bonitinha) - Divagando

02) Lili Prata

03) Daniele, lá de Londres

04) Sil – Mensagem de Texto

05) Nosso amigo Mauro taxista, do Taxitramas



-Saboreado por: mc às 22h46
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Um sorriso e tanto

Certa feita eu contei aqui o caso de uma menininha que sorriu pra mim na rua. Toda a tristeza e o desânimo que eu sentia foram por água abaixo na horinha... Ainda mais quando percebi que ela não me dera o tal sorriso gostoso sem motivo (como as crianças são capazes de fazer, só pq gostam e pronto), mas retribuíra. Eu sorri pra ela antes, mas estava tão triste que não percebi a tempo. Aquele sorriso que nasceu no meio do desânimo fez meu dia valer a pena, e me fez mais forte para futuras tristezas (pq a vida é assim mesmo... mas é a vida).

 

Alguns não têm a sorte de sorrir assim. Mas são afortunados por ter alguém ao se lado cujo sorriso ilumina qualquer momento. Quem tem a sorte, por exemplo, de ver quem ama com um sorriso maravilhoso no rosto ao acordar pela manhã, recebeu um presente de Deus, e às vezes nem pára pra pensar nisso. Quando é aquele sorriso especial, só pra você, então... Aquele que te espera na janela de sua casa quando você chega de viagem, e já o recebe quando ainda tira as malas do táxi, antes mesmo de entrar. Aquele que estava dormindo e de repente acorda, percebendo que você já chegou da faculdade e pula em cima de você. Aquele que volta quando se lembra de uma ocasião especial (ele também estava lá, afinal)...

 

Só pode ser um presente mesmo, para quem dá e para quem recebe.

 

É que ontem à noite, sem querer, eu conheci alguém que tem um dos sorrisos mais bonitos que já vi em toda a minha vida.

 

Como este, que ela está dando exatamente neste momento, ao ler isso aqui.



-Saboreado por: mc às 18h31
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