Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Liliane Prata
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo
- Isabela Raposeiras - Pra quem quer saber mais sobre café
- Third Place







O "filhote" do Too Much Coffee

Bem... Eu já falei muito aqui o quanto escrever neste bloguinho me ajudou a espairecer, a relaxar da correria diária.

Com o tempo eu passei a não atualizá-lo tanto quanto ele merece, e resolvi experimentar algo: casa nova! Fiz um outro blog que terá tanto posts novos quanto "reprises" de alguns daqui.

Dêem uma olhadinha lá no Third Place!

http://blogthirdplace.blogspot.com/

 

No mais, obrigado a todo mundo que apareceu por aqui de uma forma bacana pra também dar uma pausa no dia a dia.

Um abraço,

mc

 



-Saboreado por: mc às 15h54
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Uma descrição interessante!

A garota passa com seus longos cabelos negros, brincos de artesanato, camiseta customizada com efeitos de grafitti, calças de um tecido fino e confortável e All Star lilás nos pés. Às costas, uma mochila com grafismos contrastando com a cor do tecido, com os devidos bottons e demais penduricalhos.

 

O rapaz, sentado à porta de um bar: 

“Puxa... Ela é tão Vila Madalena!"



-Saboreado por: mc às 16h15
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London, London

 

Há gente querida vindo de Londres. Há gente querida indo pra Londres. Isso me fez lembrar de um evento dos mais bacanas que já vi em se falando de publicidade criativa. A T-Mobile, empresa alemã fabricante de celulares, resolveu realizar um flash mob, uma reunião marcada via torpedos, e-mails, telefonemas e outra das muitas formas de comunicação hoje vigentes.

Simplesmente, a empresa resolveu recrutar qualquer cidadão ou visitante de Londres para um evento-surpresa na Trafalgar Square, no coração da cidade, no rush de um dia nublado do fim de abril passado.

Os organizadores esperavam cerca de 2 mil pessoas, mas se surpreenderam com 13 mil almas de todas as idades, religiões, raças, orientações sexuais e ideologias. Na hora, ninguém pensou em diferença, dada a alegria que reinou na famosa praça.

A empresa cedeu 2 mil microfones, mas quem não os recebeu também cantou “Hey Jude”, clássico dos Beatles, em uma espécie de karaokê gigante.

Numa boa... Eu gostaria de ter estado lá. Tomara que por aqui alguma outra empresa realize algo parecido. Curtam o vídeo!

 

 

 



-Saboreado por: mc às 14h16
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Curta-metragem bacana - um "msn messenger sem computador"

A empresa de refrigerantes Schweppes realizou um “festival de curtas” muito bacana, veiculado pela internet. Um dos filmes caiu nas graças do público por sua simplicidade. Mostra uma espécie de “MSN primitivo” entre dois vizinhos de prédio. Terno, romântico, mas sem pieguice.

 

 

 



-Saboreado por: mc às 14h52
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"Nova York, Eu Te Amo" nas telonas em novembro

 

Gosto muito de filmes com várias histórias, entrecruzadas ou separadas (o chamado multiplot). Quando elas se passam em uma cidade grande, então, mostrando o dia-a-dia, melhor ainda! Urbanóide mesmo, hehe. Pois lembram-se de “Paris, Eu Te Amo”? Agora é a vez de “Nova York, Eu Te Amo”, em que um time de bambas da direção, do roteiro e atores dentre os melhores se reúnem em episódios de mais ou menos cinco minutos para declararem, cada um do seu jeito, seu amor à Big Apple. Elenco bem conhecido do grande público e um trailer bem atraente (abaixo). Esse eu quero ver!



-Saboreado por: mc às 14h32
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Hora do comercial

O Boticário já vem, há mais ou menos um ano e meio, caprichando em suas propagandas como nunca! Desde aquela "campanha a favor da beleza" e a propaganda maravilhosa do último Natal, arrebentou. Sem falar naquela do Dia dos Namorados usando a música da Rita Lee.

Mas essa do dia dos pais... Podem rir... Confesso que gostei muito. Parabéns a quem teve a idéia. Dêem uma olhadinha:

 

 



-Saboreado por: mc às 00h40
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Terceiro lugar

QUEM MORA SOZINHO TEM SEMPRE UM CANTINHO ESPECIAL PARA COLOCAR SUAS IDEIAS EM ORDEM, ALÉM DE CASA E DO TRABALHO – EM SÃO PAULO, UM DELES É O RAREBIT, MISTURA DE GALERIA DE ARTE, BISTRÔ E CAFÉ

 

 

 

Os urbanóides de vários cantos do mundo, principalmente os adeptos da arte de morar sozinho, já entenderam bem o significado do que é chamado de third place no dia-a-dia. O termo, diga-se de passagem, é bastante apropriado: é o seu terceiro lugar de permanência ou de convívio social, após sua casa e seu trabalho, nesta ordem.

 

Talvez nada se encaixe tanto da definição de third place quanto os cafés e bistrôs, tais como os conhecemos hoje, após as adaptações pedidas pela vida moderna. Por isso mesmo, alguns proprietários ousam e incrementam suas cafeterias, bistrôs e restaurantes, fazendo deles aquele cantinho em que você encontra os amigos depois de um dia árduo na labuta, senta em uma gostosa poltrona com o laptop para tentar dar uma adiantada na tese de mestrado ou doutorado, marca com aquela pessoa especial para conversarem melhor, vê contatos profissionais para uma reunião que pelo menos pareça mais informal - ou simplesmente esquece isso tudo e, confortavelmente, pura e simplesmente espairece.

 

Já sei... Lembrou-se do café Central Perk do seriado Friends não é?

 

Há aqueles espaços descaradamente comerciais mesmo – mas que nem por isso deixam de ser muito agradáveis – como a rede Starbucks, que deu um salto em seu crescimento após apostar na idéia de third place, ao invés de simplesmente um lugar para se comprar pó de café para levar para casa. Ao que parece, pelo menos até agora, a febre da sereia chegou ao Brasil para ficar. Nós, cidadãos paulistanos, compramos bem a idéia e já temos à nossa disposição mais de vinte lojas Starbucks pela metrópole afora. O próprio Howard Schultz, CEO da Starbucks, deve estar contente por ter cedido aos apelos da família Rodenbeck, proprietária da rede Outback no Brasil, para trazer o famoso café americano. Ele e nós, os que fomos conquistados pelo canto da sereia de duas caudas.

 

Mas espaços não tão comerciais assim, que apostam em uma proposta mais aconchegante, menos standard – vamos falar logo: com mais personalidade! – também exercem seu encanto entre os habitantes da urbe. E falando em personalidade, eu não posso deixar de citar um de meus cantinhos prediletos nesta enorme cidade que hoje é minha casa.

 

Mas isso tem uma historinha.

 

Eu, carioca de nascimento, já morei em cinco estados brasileiros. Há quase quinze anos, instalei-me em Sampa. E hoje tenho orgulho em dizer que meu coração é paulistano, assumidamente. E descobri que ele bate mais forte em um lugarzinho especial para o qual me mudei e do qual não sairei tão cedo: Pinheiros. Longas caminhadas pelo bairro e vizinhanças dele me mostraram inúmeros third places que fazem com que meu apê seja o meu quarto, e a região em volta dele seja o resto dessa casa em que vivo, chamada São Paulo. Sinto minha casa, mesmo fora dela. Para quem mora sozinho, isso cai como uma luva.

 

Num desses sábados frios, cinzentos e quase chuvosos que aprendi a amar, saí de casa com um objetivo fixo na mente: achar um café que fosse especial. Enquanto não acertasse, não voltaria. A caminhada era meio sem destino, errante, colina acima em direção à Avenida Paulista. Procurei entrar por ruas que eu não percorria normalmente, deixando as mais movimentadas de fora. Resolvi subir a rua Dr. Melo Alves, nos Jardins.

 

Lá embaixo, me vi em frente a algo que não é exatamente um café, mas um verdadeiro complexo gastronômico. Muito curioso e com muita vontade de conhecer o lugar, coloquei-o na lista de um outro sábado. Não era o que eu queria naquele dia. Mais acima, resisti à tentação de entrar na Oscar Freire, que tem seus espaços gostosos dos quais eu falarei com vocês, mas num outro dia... E foi justamente na quadra entre a Oscar e a alameda Lorena que me veio uma grata surpresa: um sobradinho bastante simpático em seus tijolos aparentes, toldo preto, mesinhas na calçada e clima acolhedor que chamava de longe.

 

Era o Rarebit, que para minha surpresa mostrava objetos de arte por todos os lados, além do cheirinho do espresso que me pegou ainda lá na calçada. Já entrei puxando conversa, no que fui correspondido prontamente pelo Carlos Uint, decorador veterano da Paulicéia, com trabalhos dentro e fora do Brasil. Qual não foi minha surpresa, conversando ainda, ao ser servido à mesa não por um garçom... Mas por um restaurador de móveis antigos e outras obras de arte, o Wilson! Hoje, Wilson é freelancer da casa, e aparece uma vez por semana para encarar o ateliê e a máquina de café.

 

 

Negócio de família

Esmiuçando melhor a história do lugar – coisa que eu gosto muito de descobrir – Carlos me mostrou que o espaço que é galeria de arte, bistrô, ateliê de restauração e loja de decoração (e café, para minha sorte!) é um negócio familiar, na boa acepção da palavra. É a própria família Uint que atende a quem chega, com seus aventais pretos de brim com o simpático logotipo do coelhinho estilizado, listrado. Em tempo: o nome do lugar vem de um famoso molho britânico de queijo, manteiga e condimentos (às vezes com cerveja), geralmente deitado sobre pão moído ou fatiado, o welsh rarebit, ou mesmo welsh rabbit. Daí o coelhinho do logo. Ah! Não! Não há coelho na receita...

 

Carlos conta: Mônica, filha de peixe, tem uma galeria de arte no local desde 1988. Com o tempo, ele e Wilma, sua esposa, resolveram se juntar à filha e montar o bistrô no andar de baixo, entre telas de vários estilos e simpáticas mesinhas com toalhas quadriculadas. O casal já está junto há mais de sessenta anos, entre namoro e casamento. Wilma, dessas mães carinhosas mas que falam tudo “na lata” doa a quem doer, fica escondidinha na simpaticíssima cozinha do sobrado. Ela teve uma babá portuguesa, a Celeste, que mais tarde também cuidou de Mônica e de sua irmã, Luciana. E a portuguesa, claro, era uma tremenda craque das panelas com seus doces portugueses, que Wilma aprendeu muito bem a fazer. Cocada com gemas... conseguem entender o aroma, a cor, a crocância do açúcar de grossa moagem e o sabor residual somente em três palavras? Cocada-com-gemas... Eu consigo. Comprovem... Ah, é feita no tacho de cobre, viu?

 

 

Mas não só de doces é feita a cozinha de Wilma, Carlos e Mônica. Já falei do café, obtido na máquina em cima do balcão feito de um antigo móvel de copa de madeira de lei. Pois bem: também há tortas doces e salgadas, vinhos de boa cepa, risotos, massas e um rosbife que “igual, só lá na Inglaterra”, como reza Carlos. Os nomes dos pratos, todos eles, remetem a artistas de todas as épocas e paragens.

 

Para o café da tarde, que tal uma fatia de bolo de fubá com erva doce? Bendita Celeste, que também aprendeu (e ensinou) a usar os ingredientes brazucas à mão...

 

No andar de cima, continua o (belíssimo) escritório da Mônica, com mesa de frente pra o jardim de inverno, e o show-room com mais telas, móveis antigos restaurados e até mesmo bijouterias das mais chiques, onde o gostoso sofá convida à reflexão e a acontecimentos inusitados – como o curso de cabala que eu peguei se querer acontecendo dia desses. Até o simpático banheiro merece uma olhadinha, com seu lavabo em madeira.

 

 

Sem dúvida, um de meus lugares mais queridos na minha capital. E pertinho de casa, em uma rua que também tem muitos outros atrativos!

 

Mas antes de fechar o Word: obviamente, os Uint são parte do meu tesouro paulistano. São uma de minhas famílias de Sampa. Amigos que sempre me deram muito carinho em horas boas ou difíceis. Não resisto a passar em frente ao sobradinho e a entrar para um café, um dedo de prosa e três abraços. Não estão no cardápio... Mas o carinho, o aconchego do lugar e o clima que fazem o dia valer a pena estão incluídos, pode crer. Tardes de sábado, ou do meio da semana, devem seu encanto à família Uint e a suas mesinhas de toalhas em xadrez, de onde eu sorvo meu bem tirado espresso e vejo o movimento da rua pelo grande pano de vidro frontal à guisa de vitrine.

 

Aliás, fazendo valer a regra do third place, com a qual comecei a matéria, adivinhe onde estou escrevendo este texto que é lido por você agora, vendo a tardinha cair lá fora?

 

Estão convidados!

 

Rarebit Galeria e Café – r. Dr. Melo Alves, 360, Jd. Paulista; tel. 11 3081-4350; http://www.rarebit.com.br/index.htm

 

 

 

 



-Saboreado por: mc às 16h28
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A poltrona da janela

 

 

Olhou para a poltrona do ônibus ao lado do corredor, lá pelo meio dele, um pouco chateado por não ter conseguido uma ao lado da janela. Pôs a mochila e a jaqueta jeans no bagageiro acima e sentou-se, com um pouco de má vontade. Gostava de ficar olhando a paisagem quando o sono desaparecia durante a viagem noturna, as cidades pequenas e grandes, os rios, a ponte Rio-Niterói (misteriosamente acordava, mal o ônibus entrava por sua cabeceira), as famílias nas salas de suas casas à luz azulada da TV, as pracinhas, igrejas, pastos, fazendas... Quando o sono vinha, apoiava o travesseiro ou mesmo a jaqueta dobrada no vidro, recostando-se de lado, cortinas fechadas. Não poderia fazê-lo desta vez...

Suspirou de leve, pois já sentia falta com antecedência da Baía de Guanabara em plena madrugada, já que alguém que sentasse ali fecharia as cortinas. Fez uma breve oração silenciosa por uma boa viagem, olhos fechados e cabeça baixa. Levantou-se, pegou um livro no bolso frontal da mochila e começou a ler, ajustando o encosto reclinável, o ônibus ainda parado na rodoviária do Tietê, todo aceso.

Absorto com a leitura, não se deu conta de alguém chegando e colocando a bagagem de mão no bagageiro.

-         Com licença!

Olhou para cima e gostou do que viu: uma linda moça de seus vinte e poucos anos,

os cabelos cacheados e castanhos, quase ruivos, à altura dos ombros, um par de olhos verdes de rara beleza, grandes e brilhantes. Levantou-se e deixou a moça acomodar-se. Notou que ela olhava disfarçadamente o que ele lia, depois de ter olhado distraidamente pela janela, vendo o povo movimentar-se com malas e bolsas. Inclinou o livro para ela ver melhor, fazendo de conta que não percebia. O motorista cumprimentou os passageiros, como de costume, desejando uma ótima viagem e em poucos minutos estavam na Via Dutra.

Guarulhos já ficara para trás e ela olhava tudo com muito interesse pela janela, com aquele olhar (e que olhar!) curioso de marinheira de primeira viagem, pelo menos por aquela estrada.

-         São José dos Campos.

Ela olhou surpresa para o rapaz ao seu lado, surpresa por ele saber da sua curiosidade e satisfazê-la. Riram e começaram a conversar amenidades. A moça nunca saíra de São Paulo, tudo era novo. Ele, já habituado, era seu guia pela Dutra afora. Entre um “ponto turístico” e outro, conheciam-se, descobrindo terem mais em comum do que imaginavam. Ele já se esquecera da chateação inicial por não conseguir a poltrona em que ela se sentava.

Na parada para o jantar em Queluz, na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, a conversa ficou mais divertida, com ele fazendo gozações sobre o fato de ela comer tanto e continuar tendo um corpo tão bonito. O ônibus amarelo retomou a estrada, com os dois falando besteirinhas agradáveis, comendo os doces que ela havia comprado. Ainda com ele bancando o guia, falaram sobre filmes (paixão nada secreta dele), poesias e livros (paixão nada contida dela), teatro, gastronomia, esportes, lugares interessantes de Sampa, faculdade, trabalho, infância, brinquedos antigos, alegrias, tristezas, algumas confissões, Deus... Um pouco de tudo o que era realmente importante. Embora o papo estivesse formidável, a moça mostrava sinais de sono. O rapaz ofereceu a ela a jaqueta dobrada como travesseiro, que ela aceitou de bom grado, usando seu moletom como cobertor. Com as cortinas cerradas, ele admirou com a pouca luz o modo belo e tranqüilo de ela dormir. Parecia estar sorrindo. “Parece uma criança”, chegou a pensar ele, também adormecendo sem ver Volta Redonda surgir.

Ele acordou com uma luz que passou rápido. Ela olhando para fora, com as cortinas escancaradas. Pegou um pacote de drops e ofereceu, ela aceitando com um sorriso maroto.

-         Me acordou de propósito com essa luz toda, né?

-         Claro! Vi umas coisas interessantes e estava sem meu guia turístico!

Riram e só então ele reparou nos postes que passavam bem rápido, as luzes amarelas das lâmpadas de vapor de sódio: Avenida Brasil. Estava em sua terra natal.

-         Caramba!

Olhar interrogativo dela:

-         O que foi?

-         Daqui a pouquinho você vai ver!

Novamente um olhar interrogativo dela, mais carregado de curiosidade que o anterior.

Ela encantou-se com o belo edifício do Instituto Oswaldo Cruz e suas cúpulas iluminadas. Algumas lojas e lugares da infância do rapaz ainda permaneciam e várias histórias eram tiradas do baú. Ela foi perdendo um pouco o preconceito pelo Rio, alimentado até então por pura falta de informação.

O veículo começou o leve aclive após o fim da avenida, e pedaços do porto começaram a aparecer diante deles. Ela, maravilhada ao perceber que entrava em plena Ponte Rio-Niterói, mais ainda por não estar somente apreciando uma bela paisagem e sim por estar ouvindo de seu acompanhante várias histórias de sua construção e outras informações. Ele contava de um jeito gostoso, atraente. Poucos não se espantariam com a extensão da velha ponte, uma das maiores obras arquitetônicas do país. A baía trazia mais surpresas na noite clara e muito bonita: a Ilha Fiscal e seu palácio, as luzes da pista do aeroporto Santos Dumont, que parecia flutuar sobre as águas, o Corcovado amarelado pela luz, o Pão de Açúcar, o relógio luminoso da Central do Brasil, os navios acesos de vários países, a base naval, uma ou outra plataforma petrolífera no estaleiro, um submarino atracado... A jovem estampava no rosto o contentamento.

Fechando a cortina após saírem de Niterói, conversavam baixinho, aprontando-se para dormirem mais um pouco, pelo menos até chegarem a Campos dos Goytacazes para o café da manhã. O sorriso dele, com o rosto muito próximo ao dela, era tão evidente que ela perguntou:

-         Que foi?

-         Não foi... ainda tá sendo!

Riram e ele explicou:

-           Eu estava triste lá em São Paulo por não ter conseguido a janela, pois gosto demais de ver a Guanabara. Sempre que a poltrona está ocupada por outro, não dá pra abrir a cortina e fico na mão. Você não só não atrapalhou isso, como me acordou a tempo! O melhor de tudo...

-         O que?

-         Pude compartilhar contigo e... estou meio sem jeito de dizer...

-         Fala!

-         É que já vi essas coisas milhares de vezes... mas nunca achei tudo tão bonito quanto hoje...

Ficaram se olhando por um bom tempo, tranqüilos e satisfeitos. Ela gostava do modo como ele “sorria com os olhos”. Ele cortou o silêncio, brincando, driblando o pouco de timidez:

-         Agora posso dizer pra todo mundo que dormimos juntos! Foi bom pra você?

Riram novamente, ela dando um tapinha de mentira no ombro dele, deixando a mão repousar onde bateu. Ele, sorrindo:

-         É melhor dormirmos.

Cobriu-a com o moletom, olharam-se mais um pouco (os olhos castanhos dele podiam não ser tão bonitos quanto os verdes dela, mas o brilho não era menor) e ela adormeceu devagarinho. Parecia sorrir mais que antes. Ele agradeceu, orando em pensamento, por uma das melhores viagens de sua vida até então.

O melhor foi o que pensou, nos últimos segundos antes de cair no sono: aquela viagem, pelo que tudo indicava, não teria fim simplesmente com a chegada à rodoviária. Não terminaria tão cedo em suas vidas...

 

 



-Saboreado por: mc às 22h47
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Virada Cultural

Ê, minha Sampa querida!

Final de semana cheio de opções na urbe, e um feriadinho pra favorecer. Geralmente não curto muito feriados, mas... Como as mudanças acontecem (como citado dois posts abaixo, num dia mais sério), estou começando a curtir.

Voltando às tais opções da urbe, a Virada Cultural vai pegar o sabadão e o domingo. Podem olhar que tem agendas em tudo que é veículo de comunicação da Paulicéia.

Só que alguém me pôs uma música na cabeça... num momento ímpar e até meio inacreditável para espíritos menos preparados. E música me prende... no bom sentido.

E eu acho que vou seguir aqueles acordes, aquela letra deliciosa e pretensamente ingênua, que acalma e encanta.

Ao vivo, já pensou? No coração da minha amada urbe, que pretendo explorar muito já que vou para uns cantos dos quais eu tou com saudade.

Ninguém entendeu nada, né?

Nem eu. Mas tá tão gostoso assim... Rsrsrs



-Saboreado por: mc às 01h25
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Olha... Sei que de autobiográfico esse blog não tem muita coisa...

Mas de onde vem essa caspita dessa insônia dos últimos dias?

Domingo fiquei com rinite, meio fechando o nariz, embora não fosse gripe. A garganta cismou de tentar inflamar, mas debelei tranquilamente. Fora que andei pra caramba, mas essa parte foi boa.

O tradicional Vanilla do Starbucks não pareceu tão gostoso pela primeira vez na vida, mas não era culpa deles.

Aí o bobo aqui reinstalou internet em casa. Mas isso foi bom também.

Tou bom de resumo hoje! Rsrsr



-Saboreado por: mc às 01h10
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Do nosso jeito de ver as coisas (ah, e pessoas!) e de como elas realmente são

 

De uns tempos para cá, tenho mudado meu jeito de ver as coisas. De ver as pessoas também...

 

Temos a mania de idealizar essas coisas e pessoas que passam pela nossa vida de alguma forma. Não importa se é gente que o destino mandou, se foi apenas um contato que não acontecerá de novo ou se é daquelas com que você é obrigado a conviver. A gente sempre idealiza algo.

 

Aí descobrimos a pólvora um dia: ninguém é como você pensa que é. Ele ou ela é o que é e pronto. Não é um pensamento seu que vai determinar a personalidade de alguém. Aquele perfil pode só existir na sua cabeça mesmo.

 

Outro duro aprendizado: as pessoas, na massacrante maioria, não mudam. Algumas até mudam conceitos, ou o modo de ver algumas coisas e pessoas.

 

Estou nessa fase de redescobrir princípios e conceitos... Não é um aprendizado simples, fácil, mas é instigante. Quero redescobrir a gana pelo próprio aprendizado.

 

Comigo tem rolado isso de não idealizar mais. Pessoas, coisas situações... Tanto faz. Não que eu queira ser um daqueles que desconfiam de tudo e todo mundo, não é isso. Mas gosto de saber como as pessoas são. E elas são completas, com qualidades, defeitos, manias e, algumas, até certas “particularidades exóticas”. Não me atingindo em nada, tudo bem. Basta, hoje, saber como elas são comigo. Tem essa também... Às vezes somos com umas pessoas como não somos com outras. Questão de sintonia, talvez, ou até de proteção. Aquele lance de não expor certos lados seus para quem não os entenderá.

 

Uma coisa que aprendi com a vida é que amigos são uma coisa, e pessoas com quem gostamos de sair ou cuja companhia nos agrada são outra coisa muitíssimo diferente. O fato de alguém gostar de sua companhia, ou de você ser útil a ela (de várias formas), não significa exatamente que ela goste de você... Entra aquela coisa de a vida ser um grande jogo de interesses. Nisso entra todo tipo de interesse: carências afetivas, companhia, dinheiro, status... Todas perigosas.

 

Por isso mesmo, ultimamente me afasto de pessoas que acham que você tem que ser do jeito que elas gostariam que você fosse. E, da minha parte, também evito achar algo. Estou satisfeito comigo, com o meu jeito de ser para mim e para as poucas pessoas de quem gosto de verdade e quero próximas. E, na boa, essas pessoas próximas sentem todo o carinho que tenho por elas (e pode contar que é muito). Continuo amando poder cuidar de quem eu gosto. Para quem não gosta, uma novidade: olha o tamanho do mundo que tem aí fora, com bastante espaço para ficar longe!

 

Após esse papo todo, moral da história: ao idealizar alguém, perdemos o que a pessoa realmente é. E no meio disso tem muitas coisas boas das quais nos privamos, ou muitas coisas ruins das quais devemos nos proteger.

 

 



-Saboreado por: mc às 13h21
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Primavera urbana

Manhã ensolarada (e linda!) de novembro. Na calçada em frente ao simpático sobradinho de Pinheiros, a moça loira não varria lixo.

Varria flores.



-Saboreado por: mc às 08h34
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Das vantagens de ir a pé para o trabalho

 

 

 

Acordar e, como de costume, ir à janela para ver como está o tempo (e ficar feliz por o dia estar lindo, o primeiro ensolarado da primavera que chegou).

 

Tomar um banho ouvindo o CD novo (Carla Bruni, uma opção diferente), e vestir uma roupa leve (finalmente!) após tantas semanas de agasalho. Como é sexta-feira, um bom par de tênis confortáveis ao invés de sapatos.

 

Aí é que chega a parte de lá do título, de sair caminhando pela urbe.

 

Ver a vizinha nova saindo com um bebê que te dá o sorriso mais gostoso do mundo, e depois fica olhando os periquitos em revoada fazendo algazarra, deitado no carrinho mirando o céu azul.

 

Passar no Mc e pegar aquele copo de café com leite pra viagem (pra variar, eu andando na rua com um café na mão... muuuuuito original! Rsrsrs). E ser bem atendido, o que é melhor ainda.

 

Encontrar todos os semáforos (semáforos... é, me empaulistei MESMO) do caminho favoráveis a você e, na única rua que não os tem, o taxista pára o carro e te dá passagem. Gentileza ainda existe e faz muito bem (a quem dá e recebe).

 

Na frente do escritório do famoso canal de TV a cabo, a moça desconhecida de óculos escuros te pergunta as horas, e aproveita para emendar com outra pergunta: “O que é isso aí que você ta tomando? Parece estar muito bom!” A pergunta pelas horas vira um papinho rápido e gostoso de menos de um minuto. Ela tem que trabalhar e você também...

 

Num cruzamento, outra moça, ainda mais bonita, dentro do Golf preto ouvindo “Your Song” em alto e bom som (é a primeira vez que ouço alguém ouvir uma música decente com o som do carro a todo volume, pois geralmente o gosto musical do dono do carro é inversamente proporcional ao volume do rádio). Ela canta junto com o Elton John e sorri, divertidamente acanhada, percebendo que você olhava. Você devolve o sorriso, lembra da cena do “Moulin Rouge” e a música te acompanha, na cabeça, até a esquina do escritório.

 

Justamente nessa esquina, o rapaz te oferece o jornal (daquele distribuído nos... semáforos!). O jornalzinho é meio ruim, mas o rapaz oferece com tanta educação e tão sinceramente, que você aceita só por causa dele.

 

Você chega ao trabalho, agradece a Deus pela caminhada, tira os óculos escuros, termina de tomar o café com leite...

 

E escreve um post novo, após muito tempo!

 

E você? Repara no que vai colhendo pelo caminho rumo ao trabalho?

 



-Saboreado por: mc às 10h00
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Tem Sampa para todos

 

 

Há várias São Paulo dentro de São Paulo. Minha cidade é ao mesmo tempo uma só e várias. E não falo somente da idéia de que bairros são diferentes entre si, cada um concentrando certas características como vocação comercial, clima, condição social ou etnias. Embora isso também proceda, a cidade pode ser uma só e várias até no mesmo espaço geográfico delimitado, seja bairro, rua ou até o mesmo condomínio.

Há a São Paulo dos paulistanos de nascimento. Sejam de família quatrocentona ou descendentes das dezenas de nacionalidades que compõem a metrópole – 75, segundo as últimas pesquisas – muitos dos que aqui nasceram, permanecem por conveniência, laços familiares ou porque a vida calhou de acontecer por aqui. É claro que muitos paulistanos natos amam sua cidade, defendem-na, gostam dela. Mas eu já ouvi muito, de vários e vários deles, um “não gosto de São Paulo, mas já que moro aqui...”

Depois vem a São Paulo de quem veio em busca de trabalho, pura e simplesmente. O fato de ele estar nesta cidade é mera coincidência. Na verdade, esses heróicos nordestinos, nortistas ou mesmo estrangeiros visam o trabalho como fim, o sustento, e iriam para onde quer que ele estivesse. A metrópole sede de grandes indústrias recebeu em seu seio milhões de nascidos em outras paragens para alimentar a tão necessária mão-de-obra. Ainda hoje, pelas rodoviárias e aeroportos chegam pessoas em busca de uma vida melhor, tal como chegavam antigamente pelos portos do litoral lá embaixo. Hoje, a despeito do objetivo primário, ajudaram a formar a cidade tal como é, um caldeirão de diversidade étnica, social e comportamental.

Falando em trabalho, há a população flutuante. Gente que entra no perímetro paulistano todos os dias para trabalhar, voltando à noite para as cidades vizinhas, a Grande São Paulo e tantos municípios, as cidades dormitório. Aos poucos, o contrafluxo também acontece. De qualquer modo, acabam vivendo São Paulo durante o dia, pois o trabalho não quer saber quem mora onde. Almoçam, estudam e passeiam como paulistanos temporários.

E há aqueles também não nasceram aqui, mas escolheram a cidade. Ou desejavam a “Sampa” à distância até chegarem a ela, ou caíram de pára-quedas por alguma transferência pela empresa em que trabalhavam. Ou mesmo vieram só para estudar e acabaram ficando. É gente que, cedo ou tarde, um dia acorda e se sente pertencente a esse chão. O “paulistano de coração” está em casa, seja ele do Ceará, da Europa, da Ásia ou até do vizinho Rio de Janeiro – mesmo com aquela birrinha entre as duas cidades que é divertida quando vem de gente boa.

Estes últimos, dentre os quais me incluo (nascido na maresia da Guanabara, mas conquistado pela garoa), vivem Sampa de um jeito diferente dos demais. Perscrutam seus milhões de cantos, descobrem e redescobrem a urbe com aquela curiosidade natural e mais intensa de quem vem de fora. Há uma busca constante, até eles se entenderem no meio disso tudo. Constante,  pois por mais que já tenham descoberto, sempre há algo novo a descobrir.

Já vivi tempo suficiente aqui para me incomodar quando alguém fala mal de minha cidade. Afinal de contas, é aqui que trabalho, estudo, descanso, pago imposto, voto... Vivo. São quase quinze anos no lugar ao qual mais me senti ligado até hoje. Aqui realizei alguns dos maiores sonhos, me descobri entre todos estes estranhos, me achei diante de tanta gente, 19 milhões de vizinhos de todas a línguas. Nunca me esqueci de minha origem e nunca me esquecerei. Amo meu Rio, mas não posso negar que já sou mais paulistano que carioca. E não me incomodo nada com isso.

Em minha cidade, posso comer comida kosher sem ter nascido judeu – sempre maravilhosa. Posso usar os hashis à mesa ou em plena rua sem ter os olhos puxados. Posso andar pela calçada bebendo devagarinho num copo de papel da Starbucks com meu nome escrito nele sem ser norte-americano. Posso ouvir três línguas diferentes em uma simples caminhada pelo bairro. Posso comprar livros baratinhos, porém bons, em uma máquina na estação do metrô. Posso descobrir ingredientes nunca antes imaginados por mim no Mercadão Municipal. Descubro o que há por trás do escondidinho, e o cheiro da paçoca com suas cebolas douradas e carne de sol. Doce de jiló e suco de rosas na mesma praça, vejam só! Botequim carioca em plena Faria Lima, com bolinho de bacalhau e tudo. Cachorro quente “histórico" de pé à beira do balcão no Largo do Café. Posso me sentir no início do século XX com uma xícara de café cheiroso em uma mesa de mármore branco, ferro e madeira em São Bento, imaginando os bondes lá fora. Posso me sentir num mercado de pulgas europeu em vários bairros, pra que quer antiguidades de verdade ou mesmo simples tranqueiras como bijuteriazinhas ou brinquedos de colecionador. Posso ser cumprimentado por um salam aleikol...

Aqui posso ver uma roda de capoeira no meio do parque em que, a poucos metros, outro grupo segue os movimentos suaves do tai chi chuan. Mais na frente, o cheiro de mate verde denuncia um chimarrão quentinho. Posso até não dançar uma tarantella na cantina, mas não resisto e bato palmas com gente de todas as mesas sob as garrafas de vinho, fitas e camisetas de futebol suspensas do teto. Faço compras às duas da manhã e posso “almoçar” a qualquer momento do dia ou da noite. Coisas de Sampa. Feijoada Às quartas e sábados, peixe na sexta e, segunda-feira, virado à paulista, que tanto lembra Minas Gerais! É muito bom essa gente toda ter trazido um pouco de seus países, estados e cidades pra cá e compartilhar conosco, como se nos recebessem lá em suas terras de origem. E passamos a ter alguns desses hábitos a ponto de eles fazerem falta quando ficamos muito tempo sem eles.

Ainda não falo “ô meu”, nem me vejo falando – mas a um “ôrra” eu até solto vez em quando. Mas é muito gostosa uma sensação que eu tenho tido ultimamente. Na hora em que o avião vai descendo e vou vendo aquele mar de arranha-céus chegando mais e mais perto, é inevitável... Vem aquele sorriso no rosto e a gostosa sensação. “Cheguei, tou em casa”.

Por melhor que a viagem tenha sido.



-Saboreado por: mc às 09h38
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Roupa suja se lava em casa, a boa novidade no supermercado & o retorno ao blog

Todo “dono de casa” que se preza adora um supermercado. Comigo não é diferente.

Já faz um tempo que ando meio assim com o sabão em pó Omo, que mudou (e encareceu) muito de uns tempos pra cá. Mas todas as vezes que procurei algum diferente, me decepcionei. Mas qual não foi minha surpresa quando fui ontem a um Pão de Açúcar daqui do bairro!

 

Fiquei eu matutando entre marca fulana e sicrana, quando fui abordado por uma moça muito educada oferecendo orientação. Ela é de uma consultoria que presta serviços ao supermercado para melhor orientação os clientes segundo suas necesidades.

Não só recebi uma senhora aula de procedimentos corretos e mitos sobre lavar roupas, como ela levou em conta cada aspecto: tipo de máqina, quantidade, modo de usar, marcas de acordo com o que eu preciso, o que evitar, etc.

 

Todo supermercado de grande porte deveria ter especialistas assim pra vários tipos de produtos! Não só o cliente ganha, como o mercado sabe mais sobre seus freqüentadores.

 

Para ajudar, a moça foi simpaticíssima, educada, bonita e teve a maior paciência, mostrando que entendia mesmo do assunto, tendo recebido um senhor treinamento!

 

São procedimentos como esses que geram fidelidade do cliente, satisfação e fazem algo de que gosto muito – fazer compras e cuidar de minha casinha – ainda melhor.

 

Ah, os orientadores também pedem o retorno do cliente para saberem se tudo funcionou corretamente – e, podem acreditar, fazem tudo com isenção, imparcialidade, não privilegiando esta ou aquela marca.

 

No fim das contas, sim, fiquei satisfeito com o resultado do novo sabão, uma marca que eu nunca havia usado e que subiu em meu conceito.

 

Nada como ser bem atendido, não é? Isso podia se espalhar pelos estabelecimentos que ainda não descobriram que cliente satisfeito volta, e que de respeito e educação todo mundo gosta. Em alguns estados em que estive, acreditem, atendem tão mal que só falta darem um coice no freguês.

 

P.S.: Como podem ver, parece que voltei aos comentários da vida urbanóide! Aos poucos, vou voltando ao velho estilo. Podem deixar.



-Saboreado por: mc às 17h44
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